A indignação recente e com memória curta.

A indignação recente e com memória curta.

Estive em silêncio por respeito às presidenciais, mas atento a tentar perceber opaís que construímos.
Não escrevo para apoiar nem atacar ninguém. Escrevo porque há padrões que não podemos fingir que não os vemos.

Há um fenómeno curioso na nossa democracia. O presente é sempre o ator principal enquanto que o passado, esquecido, é empurrado para fora do palco.
Vivemos de reações imediatas, mas esquecemos os padrões que a história recente nos ensina, convencidos de que estamos a fazer algo novo.

Atrevo-me a dizer que se estão à espera de resultados diferentes ao rebobinar
uma cassete e voltar a ver o filme, lamento, pois o resultado irá ser o mesmo — como a velha frase: “fazer repetidamente a mesma coisa e esperar resultados diferentes, é pura definição de loucura”.(sic) Albert Einstein

Aqui, mudam os protagonistas; o enredo é o mesmo de sempre. Pois decisões tomadas dentro de gabinetes, fora do espaço direto do voto, tiveram um impacto direto no rumo do nosso país que nos levou à rotura em que vivemos.

Falo-vos de Presidentes que dissolvem governos estáveis para abrir portas a outros, dentro do mesmo ciclo político, para depois verificarmos o desfalque que aconteceu e um primeiro-ministro a formar governo sem ter sido a escolha mais votada, desrespeitando assim a essência da democracia e a vontade do povo.

Nos dias de hoje, os princípios não mudaram, apenas o alvo. Passamos de uma democracia absoluta para uma democracia interpretada, e independentemente das crenças partidárias que um indivíduo tem, seja ele figura pública ou não, é mais importante fechar os olhos e colocar a sua integridade de lado apenas com o objetivo de travar quem não quer.

Assim, termino com este pensamento:
Ou a democracia vale sempre, ou não vale quando convém.

Ricardo Venceslau Lapa
21 de janeiro de 2026

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